Caronte
Caronte (em grego, Χάρων — o brilho) era uma figura mitológica do Mundo Inferior grego que transportava os recém-mortos na sua barca através do Aqueronte, rio que delimitava a região infernal, até o local no Hades que lhes era destinado. Era filho de Nix, a Noite.
Caronte era um barqueiro velho e esquálido, mas forte e vigoroso, que tinha como função atravessar as almas dos mortos para o outro lado do rio. Porém, só transportava as dos que tinham tido seus corpos devidamente sepultados – com as devidas cerimônias fúnebres – para pagar Caronte pela viagem. Se a alma não pudesse pagar, ficaria forçosamente na margem do Aqueronte para 100 anos, e os gregos temiam que pudesse regressar para perturbar os vivos, sendo esta a versão mais acurada – há quem diga que passavam a eternidade assombrando o rio. Passado este tempo, poderiam atravessar o Aqueronte.
As referências que os mitólogos fazem a seu respeito geralmente o apresentam como um ser idoso, mas imortal, de olhos vivos, o rosto majestoso e severo; sua barba é branca, longa e espessa, e suas vestes são de uma cor sombria, manchadas do negro limo dos rios infernais. A representação mais comum que os pintores antigos dele fizeram, é de pé sobre a sua barca, segurando o remo com as duas mãos. Em outras versões, porém, era retratado com uma máscara de bronze, sob a qual ocultava sua verdadeira face macabra que faria os recém-mortos repensarem em entrar na barca.
Caronte recebia em seu barco pessoas de todas as espécies, heróis magnânimos, jovens e virgens, tão numerosos quanto as folhas do outono ou os bandos de ave que voam para o sul quando se aproxima o inverno. Todos se aglomeravam querendo passar, ansiosos por chegarem à margem oposta, mas o severo barqueiro somente levava aqueles que escolhia, empurrando o restante para trás.
Caronte recebeu esta tarefa após ter tentado roubar a Caixa de Pandora, obrigado por Hades. Surpreendido por Zeus, ele foi mandado para o Erebus onde deveria cumprir sua tarefa. Inicialmente, Caronte fazia a travessia junto com seu irmão gêmeo Corante. Cada um utilizava um remo e cada um ficava com uma das moedas e, quando mandavam uma gorjeta a mais, os dois dividiam. Assim deveria ser por toda a eternidade. Entretanto, Corante começou a notar que as gorjetas estavam cada vez mais raras e, quando as recebia, eram valores muito menores que o costumeiro, no que começou a duvidar de seu irmão. Assim, um dia descobriu que Caronte estava lhe roubando: pegava a gorjeta antes que ele visse e desviava parte do faturamento para si. Por isso os dois brigaram selvagemente por 13 meses (de 28 dias) e um dia. Neste tempo, os mortos perambulavam pela terra, pois não havia quem os conduzisse para o Outro Mundo. No 365º dia, Caronte matou seu irmão afogando-o no rio. Nesta hora, o corpo de Corante se dissolveu e tingiu todo o rio de vermelho.
Um mortal não poderia entrar na barca, e, pois, atravessar o rio, a não ser que tivesse como salvo-conduto um ramo de ouro de uma árvore fatídica consagrada a Perséfone. A profetisa Sibila de Cumas deu um desses ramos a Enéias, herói lendário, quando este quis descer aos infernos para rever seu pai. Hércules, porém, teve sua passagem concedida sem ter em mãos este ramo, o que fez com que Caronte fosse punido e exilado durante um ano nas profundezas do Tártaro.
FONTES: BULFINCH, Tomas: “O Livro de Ouro da Mitologia”
Recanto das Letras – Barca de Caronte
5 comentários
7 de abril de 2011 às 22:05
nossa, q doidera! Bem interessante esse texto, mas eu achei engraçado o nome do irmão de Caronte: Corante?kkkkk.
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21 de julho de 2011 às 21:20
Cara ou cora !!!!!!
DRACMAS DE OURO
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28 de outubro de 2011 às 22:39
viu?Corante era vermelho!rsrsrsrsrs
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29 de novembro de 2011 às 16:22
Morri de rir do nome do irmão de Caronte!kkkkkkkkkkk
“[...]Corante se dissolveu e tingiu todo o rio de vermelho.”
14 de março de 2012 às 22:51
o paia e que caronte tava robando o corante tadinho !!! kkkkkkk
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